Último Capítulo do Livro de Jó

 

Jó e seus amigos

Por João Cruzué

O último capitulo do livro de Jó nos apresenta o final de uma das mais intrigantes histórias da Bíblia. Ele perdeu tudo: bens, filhos, saúde, amigos e até a tranquilidade de sua alma. Em meio à dor, buscou respostas e não as encontrou. Debates e acusações se arrastaram por dias, mas a angústia permanecia. No último capítulo, porém, vemos algo extraordinário: Jó não recebe uma explicação de Deus, mas algo muito maior: a presença de Deus. Sua maior bênção não foi receber o dobro de tudo quanto possuiu no passado, nem a devolução da família com dez filhos de volta. Jó alcançou uma compreensão bem mais profunda da grandeza do Senhor.

Depois de reclamar da vida e dos amigos Jó finalmente fala com Deus e Deus não responde um "a", ao contrário: lhe faz uma série de questionamentos. Jó reconhece a verdade: que o Senhor é soberano e Seus planos não podem ser frustrados. Ele percebe que havia falado do que não compreendia. Antes, conhecia a Deus apenas de ouvir falar, mas agora O conhecia de perto. Esse foi o momento da mudança de visão. A dor não foi capaz de destruir sua fé, ela se tornou muito mais madura. Jó entende que a vida não se trata de dominar todas as respostas, mas de confiar em Quem tudo governa. E é justamente quando aceitamos que não sabemos tudo é que passamos a enxergar Deus de mais perto.

Esta descoberta leva Jó à humildade. Ele deixa de buscar justificativas e para de se defender. Diante da grandeza de Deus, a melhor resposta é se render. Essa atitude nos ensina muito, porque todos nós, em algum momento, passamos por situações que não compreendemos. E, então perguntamos: “Por que eu, Senhor? Por que agora?” Mas muitas vezes, em vez de respostas, o que recebemos é a presença de Deus que nos sustenta. E essa presença vale mais do que qualquer explicação. Jó saiu do campo teórico para descobrir isso na prática: quando o coração se cala diante de Deus, nasce uma paz que a dor não consegue apagar.

Neste mesmo capítulo, Deus se volta contra os amigos de Jó. Eles falaram muito sobre Deus, porém os discursos e as réplica deles estavam assentados em um saber formalista e distorcido do verdadeiro Deus. Por isso, o Senhor os repreende e manda procurarem por Jó para  que interceda por eles. Esse detalhe é muito importante: o homem que havia sido acusado por eles é quem deve orar por eles. É uma cena de reconciliação, de perdão e de restauração. Jó, que tinha todo motivo para guardar mágoa, escolhe orar e abençoar. Isso nos mostra que a cura do coração muitas vezes passa pelo perdão, mesmo quando parece impossível. A visão de seus amigos estava errada. Pareciam como Saulo de Tarso a caminho de Damasco. Depois da repreensão e da humilhação, certamente seriam bons consoladores.

A Bíblia diz que o Senhor mudou a sorte de Jó quando ele orava por seus amigos. A bênção veio depois da intercessão, mostrando que o perdão abre espaço para a restauração. Deus devolve em dobro o que Jó havia perdido, concede-lhe novamente filhos e filhas, e prolonga seus dias. Mas a restauração não apaga o passado, porque os filhos que se foram não voltaram. O que acontece é ainda mais profundo: Jó experimenta que a fidelidade de Deus é capaz de escrever novos capítulos de alegria, mesmo depois de uma estação cheia de perdas.

As filhas de Jó recebem destaque no texto, algo raro naquela cultura. Elas são citadas pelo nome, descritas como mulheres de grande beleza e recebem herança junto com os irmãos. Isso mostra que a restauração de Deus não é apenas devolver o que foi perdido, mas também trazer novidade, justiça e sinais de renovação. O livro termina mostrando Jó vivendo muitos anos, vendo gerações nascerem e partindo em paz. Depois da tempestade, ele encontra descanso. É como se a vida dissesse: “O sofrimento não foi a última palavra.” Deus sempre tem o poder de reescrever nossa história.

Os designos de Deus são insondáveis. Em tempos de Teologia da Prosperidade seria um contrassenso descobrir que Jó só ouviu a voz de Deus depois que perdeu tudo e não tinha mais nada: riquezas, família, saúde, dignidade nem amigos. Todavia ele, assim como Saulo de Tarso, alcançou o que pouquíssimos conseguem: ouvir a voz do próprio Deus e andar na presença dele.

Satanás (o diabo) foi o causador das perdas e do sofrimento de Jó. Foi também o maior derrotado. Os amigos formalistas não o perceberam, nem Deus disse coisa alguma sobre isso para Jó. Entrou anônimo e soberbo e voltou ao anonimato derrotado. Pensou que iria debochar de Deus por causa da fraqueza humana. Não foi Jó o grande vencedor, foi o Senhor Deus de Israel.

O último capítulo do livro de Jó nos mostra que o maior tesouro não foi o dobro de riquezas, nem mesmo os anos de vida que ganhou, mas o conhecimento mais profundo de Deus. O sofrimento, que parecia sem sentido, se tornou o caminho para uma fé mais madura e para uma experiência mais íntima com o Senhor. Assim como Jó, muitas vezes nós não recebemos respostas prontas para nossas dores. Mas, podemos receber algo ainda maior: a certeza de que Deus está conosco e que nenhum dos seus planos pode ser frustrado. A história de Jó termina com esperança. Assim como o Senhor Deus de Israel que restaurou  a Jó, Ele é o mesmo que cuida de nós hoje e sempre.


SP-04.09.2025


A revolta no Irã profetizada no Salmo 83

Wilma Rejane 

O Salmo 83 é um clamor para que Deus intervenha quando povos se levantam contra Israel. O salmista enumera nações que cercavam o povo de Deus e desejavam apagá-lo da memória. Não é um texto brando; é um pedido por juízo, lembrando como o Senhor derrubou inimigos no passado. A partir do verso 11, o salmista cita figuras históricas derrotadas nos dias dos juízes: Orebe, Zeebe, Zeba e Zalmuna. Esses nomes não são metáforas: eram líderes reais, derrotados de forma decisiva. O salmista os usa como referência para dizer: “Que Deus faça hoje como fez naquele tempo.”

Faze aos seus nobres como a Orebe, e como a Zeebe e a todos os seus príncipes, como a Zebá e como a Zalmuna,Que disseram: Tomemos para nós as casas de Deus em possessão. Deus meu, faze-os como um tufão, como a palha diante do vento. Salmo 83: 11 à 13

Orebe e Zeebe eram príncipes midianitas. Aparecem em Juízes 7. Eles lideravam ataques devastadores contra Israel, saqueando colheitas e oprimindo o povo. Naqueles dias, Deus levantou Gideão para libertar Israel. A derrota deles foi clara: Orebe foi morto na Rocha de Orebe. Zeebe foi morto no Lagar de Zeebe. Ambos morreram em lugares que acabaram levando seus nomes, um testemunho público de queda e vergonha.

Carta de Maria Às Mulheres Desta Geração


Nohemy Vanelli 

Fui escolhida para carregar em meu ventre uma promessa eterna. Não porque eu tivesse títulos ou  riquezas, mas porque meu coração dizia “sim” quando Deus chamava. Quando o anjo me visitou, minha alma estremeceu... Como pode o céu visitar uma casa tão simples? Mas entendi ali que a grandeza de Deus não procura palácios — Ele procura corações férteis.

Foi assim que me tornei jardim. No íntimo do meu ser, a semente da promessa floresceu. Aquela mesma palavra que um dia foi soprada no Éden, agora tomava forma dentro de mim.

Não foi fácil. Houve medo, dúvidas, olhares desconfiados. Mas Deus não me deixou sozinha. Ele preparou José — um homem justo e sensível à voz do céu. 

Mesmo sem entender tudo, ele me acolheu, me protegeu, foi abrigo no caminho. E em cada passo, o Pai cuidava de nós com detalhes que só o amor eterno sabe providenciar.

Feliz travessia para 2026, feliz caminhada no novo ano!


Wilma Rejane 

A travessia para Siquém, foi o primeiro passo de Abraão com destino a terra prometida .  Ainda faltava muito chão para chegar ao destino final, mas ele se moveu, arriscou deixar para trás o lugar que nada mais poderia lhe oferecer e seguiu ao desconhecido, porém acompanhado dAquele que conhece todas as coisas. E  Deus com ele permitindo que seus pés caminhassem sem tropeçar, que seus camelos e servos gozassem de boa saúde e disposição para segui-Lo. Abraão deixou o conforto, para viver os conflitos e crescer na fé.

Atravessou Abraão a terra até Siquém. Gênesis 12:6

Você já parou para pensar a maravilhosa bênção,  proteção e providência Divina que há em cada passo nosso? Em cada travessia?  Cada travessia é um favor, por menor que seja a distância. O primeiro passo é tão ou mais importante que o último. Se Abraão não tivesse "atravessado a terra até Siquém", não teria percorrido os mais de 2.400 km realizando todas as promessas de Deus para Ele.

A grande virtude da vida de Abraão é: Ele caminhou com Deus. Eis a grande diferença. Quando estamos com Deus, cada passo é revestido de milagre. Sem Ele, poderíamos estar  na direção errada, aturdidos, infelizes. Podemos achar que nada de especial acontece conosco, que os dias são tão iguais,  que poderíamos fazer coisas mais grandiosas que merecessem destaque fenomenal, enquanto isso, nossos passos, pequenos, são grandes obras e favores do céu!!! 
 

Ano novo não é apenas mudança no calendário



Wilma Rejane 

Para quem iremos?” – João 6:68–69

Todos nós estamos indo. Ninguém fica parado na vida. O tempo nos empurra para frente, os dias passam, os anos se sucedem. Queiramos ou não, estamos sempre em direção ao futuro. A pergunta não é se iremos, mas para onde estamos indo e com quem caminhamos.

Quando muitos abandonaram Jesus, Pedro foi simples e firme: “Para quem iremos nós?”. Ele entendeu algo essencial: fora de Cristo não há destino seguro. Há movimento, há escolhas, há planos, mas não há vida eterna.

Esse “ir” se conecta diretamente com a chegada de um novo ano. O ano novo não é apenas uma mudança no calendário; é mais um passo adiante na caminhada. Muitos fazem planos, metas e promessas, tudo isso tem seu lugar, mas o essencial continua o mesmo: se Cristo não estiver à frente, o caminho é incerto, por mais bem planejado que pareça.

Amanhã será um novo dia

 



João Cruzué

Anos atrás plantei as sementes de uma goiaba vermelha no quintal e elas brotaram! Então, eu escolhi a muda mais bonita e plantei em um lugar especial. E depois sonhei que um dia amarraria uma gangorra (balanço) em um de seus galhos para balançar a Priscila, nossa primeira filha. Nos anos seguintes, não só balancei a Priscila, com mais tarde, também veio a Aline. Todo ano, suas folhas envelheciam e caíam no fim do inverno. Imagino que ela se preocupava com a aparência despida de uma árvore morta, mas aquela goiabeira sabia que quando voltasse a Primavera, novas folhas ainda mais verdes brotariam. Hoje quando olhei para o quintal, um pensamento passou diante de mim: eu pude ver, também, que muitas pessoas precisam saber que Deus cuida das árvores para mostrar que nos ama!


Cientificamente, as estações do ano acontecem no planeta terra por causa da inclinação de seu eixo vertical, atualmente, de 23,45º. Ela gira bamboleando pelo espaço, pela ação dos movimentos de precessão e nutação e, quando a inclinação do eixo horizontal elíptico se alinha com o equador celeste, duas vezes por ano, tem início do outono - em 21 março, e da primavera em 23 de setembro. Uma pesquisa com dados completos pode ser achada aqui: generalidades da terra.

Na vida de cada um de nós, também há períodos de inverno, primavera, verão e outono.

Quando aos olhos das pessoas próximas nós parecemos cheios de defeitos, imprestáveis, derrotados, sem futuro e de vez em quando algum comentário chega até nossos ouvidos: "Bem feito!"- a estação é o inverno.

As três Bestas do Apocalipse

  

"Apóstolo João"


João Cruzué

O Apocalipse apresenta três figuras do mal em aliança — o Dragão, a Besta que sobe do mar e a Besta que sobe da terra (o falso profeta) — formando uma paródia profana da Trindade. Essas figuras não são meros personagens isolados, mas expressões articuladas do mal espiritual, político e religioso. A tradição cristã leu esses textos de maneiras distintas conforme o método teológico adotado. A seguir, são expostas, de modo contínuo e comparativo, as interpretações de Stanley M. HortonJohn F. WalvoordSanto Agostinho e São Tomás de Aquino, com cinco parágrafos dedicados a cada Besta.

Dragão, em Apocalipse 12, é compreendido por Stanley Horton como Satanás pessoal e real, a fonte espiritual de toda perseguição e engano. Para ele, o texto não permite uma leitura meramente simbólica: trata-se do inimigo histórico da Igreja, derrotado judicialmente pela cruz, mas ainda ativo no tempo presente. Horton enfatiza que o Dragão atua por meio de sistemas e poderes humanos, nunca de forma isolada.

John Walvoord interpreta o Dragão de maneira igualmente literal, mas com forte ênfase escatológica. Para ele, Apocalipse 12 descreve eventos objetivos ligados ao fim dos tempos, incluindo a expulsão definitiva de Satanás da esfera celestial e sua fúria concentrada contra Israel e os santos. O Dragão é um ser pessoal, inteligente e estrategista, cujo tempo é curto e delimitado.

Santo Agostinho vê o Dragão como a personificação do mal espiritual que atravessa toda a história. Em sua teologia das duas cidades, o Dragão é o princípio animador da Cidade dos Homens em oposição à Cidade de Deus. Não está restrito a um momento final, mas age continuamente por meio da soberba, da violência e da idolatria do poder.

Devocional Vou Pescar

 

Wilma Rejane 

Pedro disse: “Vou pescar” ( João 20:3-6). Era o que ele sabia fazer desde sempre. Trabalhou a noite inteira e o resultado foi frustrante: nenhum peixe. Rede vazia, esforço inútil. Ele tinha experiência e coragem, mas faltava o essencial: a direção do Senhor.

Ao amanhecer, Jesus aparece e diz algo simples: “Lancem a rede do lado direito do barco”, Pedro e seus companheiros de pesca obedecem, a mesma rede, o mesmo mar, os mesmos homens, o resultado muda completamente!A pesca vem em abundância!

A lição é antiga e continua válida: o homem, quando anda sozinho, pode até se esforçar muito, mas não alcança o verdadeiro êxito. Sem Jesus, o trabalho cansa e frustra. Com Jesus, até o que parecia perdido se transforma.